Segunda-feira , 20 de Outubro DE 2008

SEXUALIDADE


É LÍCITO O SEXO ANTES DO

CASAMENTO?

 

Um questionamento lícito para cristãos sinceros, cuja resposta muitas vezes é negada em razão do medo ou até mesmo da falta de preparo, que impedem um entendimento bíblico e sem hipocrisias, sobre o assunto.

 

sexualidadeA sexualidade é uma questão emblemática com a qual, por menos que queiram, pastores e líderes evangélicos têm de enfrentar, por força de suas responsabilidades. Algumas vezes, existe compreensão a respeito. Outras, infelizmente, apenas evitação ou respostas que não satisfazem aqueles que são os mais necessitados de informações.

O que se vê, com mais freqüência, nas igrejas, são posições extremadas. Ou se trata o assunto como um tabu; ou se confunde liberdade com permissividade – duas maneiras de deformar as informações e de, por via de conseqüência,  privar as pessoas de uma consciência saudável a respeito.

Tratar a questão como tabu significa dar a ela os mesmos contornos dados e repassados pela tradição, que é sempre ditada pelas normas morais do grupo cultural, o que, em nossa sociedade, consiste pura e simplesmente em dizer que é transgressão e pecado, que assim deve ser considerado e punido.

Confundir liberdade com permissividade, por outro lado, implica em aceitar o descompromisso, o sexo casual, a transa, para sermos mais explícitos, como meras manifestações de humanidade, banalizando algo que deve ser lindo, porque divino, em promiscuidade e falta de caráter.

Os cristãos sabem que Paulo ensinou “que todas as coisas são lícitas (...) mas nem todas convêm”. Saber a letra, no entanto, nem sempre implica em entender e vivenciar o espírito da letra.

Já dizia o antigo filósofo que a virtude está no meio (in medio virtus), o que, numa linguagem cristã implica em temperança e ausência de extremismos, algo muito fácil de ser dito, mas muito difícil de ser praticado.

 

O QUE FAZER, ENTÃO?

 

Creio que, em primeiro lugar, desmistificar a noção de que o casamento no cartório ou na igreja CONSTITUI o casamento bíblico. O que significa dizer que muitas pessoas casadas no papel e diante do pastor ou do padre podem não estar biblicamente casadas, vivendo apenas uma conveniência ou uma hipocrisia, se não existe ingredientes como o amor e o respeito, por exemplo.

E, em segundo e não menos importante lugar, assimilar a verdade cristalina de que o casamento bíblico é aquele no qual o homem e a mulher deixam seus pais e passam a viver uma vida em comum, onde exista: amor, compromisso, fidelidade, lealdade, entrega, temperança, compartilhamento, capacidade de perdão, isso tudo diante de Deus e dos homens.

E, para ter um casamento desses é necessário renovar-se a cada dia, investir no relacionamento a cada dia, perdoar a cada dia, doar-se a cada dia e compreender a cada dia.

Se isso acontecer, a pergunta deve deixar de ser  se o sexo é para antes ou depois do casamento e passar a ser se o compromisso que existe entre os parceiros é biblicamente fundamentado ou não.

Sexo com amor e como compromisso de vida já é o casamento bíblico, em si.

Não importa se seja antes ou depois o casamento formal.

 

Antônio Tadeu Ayres

 

 

Terça-feira , 14 de Outubro DE 2008

MULHERES QUE SOFREM APRISIONADAS AO PASSADO

 

Mulheres Que Sofrem
Aprisionadas ao Passado
 
Introdução
 
 
“E a mulher de Ló olhou para trás e ficou
 convertida numa estátua de sal”
(Gen. 19.26)
 
 
MULHERDurante os últimos anos, em minha experiência clínica e de aconselhamento, tenho me dado conta de uma situação de sofrimento que acomete principalmente mulheres solitárias, as quais um dia já foram felizes em seus relacionamentos passados e que, devido à semelhança dos sintomas, comuns a todas elas, configuram uma síndrome que, neste trabalho deliberei, por suas características, denominar de Síndrome da Mulher de Ló.
 
A palavra síndrome, proveniente do greco síndromé, significa “reunião de sinais e sintomas que ocorrem em conjunto e que caracterizam uma doença ou uma perturbação”.
 
Mas por que Síndrome da Mulher de Ló?
 
Não existe uma razão intrínseca, a não ser a analogia que encontrei entre os sintomas dessas mulheres, e a tragédia retirada da história hebraica antiga, e que se resume no texto que encima esta introdução, a qual se abateu sobre a esposa de Ló, sobrinho de Abraão, o patriarca da nação israelita.
 
A história, que se acha registrada no capítulo 19 do Gênesis, normalmente é interpretada em seu sentido teológico. Neste texto, porém, irei abstrair dela apenas o seu sentido simbólico, metafórico, para fazer uma correlação com os sintomas que acometem as mulheres solitárias, sobre os quais adiante irei tratar.
 
Entretanto, para aqueles que não conhecem a história, acho bastante conveniente relatá-la aqui, embora de maneira resumida, para que possamos prosseguir com um correto entendimento do assunto.
 
“Tudo começou com uma querela entre os pastores de Abraão e os pastores de seu sobrinho Ló, os quais começaram a disputar entre si o espaço para a pastagem de seus respectivos rebanhos”.
 
Abraão, descontente com essa discórdia, propôs uma divisão de terras e deu a seu sobrinho a chance de escolher em primeiro lugar, com qual parte delas desejava ficar.
 
Ló, ao contemplar de longe o panorama que se lhe apresentava, notou que um lugar conhecido como “as campinas do Jordão”,  era todo bem regado e para lá resolveu mudar-se, instalando-se na cidade de Sodoma, tornando-se ali um estrangeiro respeitado e bem - sucedido.
 
A história prossegue, narrando que Sodoma, assim como a vizinha Gomorra eram cidades corrompidas, nas quais proliferavam a promiscuidade sexual, em especial o homossexualismo, razão pela qual Jeová resolveu destruí-las, uma vez que sua maldade tornara-se insuportável.
 
No entanto, antes que isso acontecesse, enviou dois anjos, com aparência de homens, para livrar Ló e sua família da destruição.
 
Esses homens foram recebidos por Ló e acolhidos por ele debaixo de seu teto, para passarem a noite. Porém, os homens da cidade vieram bater à porta da casa, exigindo que os anjos fossem colocados para fora, a fim de serem sexualmente abusados por eles.
 
Como Ló se recusasse a atender a tal pedido, os homens enfurecidos, quiseram abusar do próprio Ló, ocasião em que os anjos intervieram e feriram os habitantes da cidade de cegueira.
 
A partir desse momento, os anjos começaram a instar Ló e sua família para que saíssem rapidamente da cidade, antes do amanhecer, pois iriam destruir o lugar e não poderiam fazê-lo antes que Ló e sua família fossem dali retirados.
 
 
Como se demorassem, os anjos pegaram pelas mãos Ló, sua esposa e suas filhas e praticamente os obrigaram a sair o mais rápido possível, não antes, porém, de dar-lhes uma severa advertência, para que não olhassem para trás.
 
Assim, tão logo Ló, sua esposa e suas duas filhas saíram mulher de Lóde Sodoma, os anjos começaram a destruir as cidades, com fogo e enxofre.
 
Todos obedeceram a ordem expressa dos anjos, exceto a mulher de Ló, que, por alguma motivação interior, olhou para trás e, como castigo, foi imediatamente convertida numa estátua de sal.”
 
Como você pode observar, aí está o motivo para a escolha do nome: Síndrome da Mulher de Ló – o  seu conteúdo metafórico, em dois sentidos.
 
O primeiro, de olhar para trás, com seu óbvio significado de ficar presa ao passado, sentir pena do que foi deixado, ter curiosidade pela destruição daquilo que ficou, manter o coração na antiga vida, ater-se a bens que não existem mais, perder a antiga condição de abastança e tantos outros que aqui poderíamos enumerar.
 
O segundo refere-se à própria natureza de sua punição: ser convertida numa estátua de sal, ou seja, ficar petrificada, engessada, ossificada, cristalizada – uma situação que lembra completa imobilidade, total ausência de movimento e vida.
 
Tal é o que ocorre também, simbolicamente, com as mulheres que sofrem da Síndrome da Mulher de Ló.
 
Via de regra, são mulheres que já foram felizes ou experimentaram o amor em algum momento de suas vidas. Mas, infelizmente, sofreram uma grande decepção por parte da pessoa amada de tal maneira que vieram a engessar; ou, em outras palavras, congelar suas emoções, tornando-se vítimas do medo.
mulherNão daquele medo que é normal e que constitui a vivência de um período de luto até necessário para quem sofre uma grande frustração ou uma grande perda.
 
Mas um medo descomunal, desproporcional e completamente mórbido de sequer cogitar o abrir-se para um novo relacionamento, embora, no íntimo, até preferissem isso, se tivessem a capacidade perdida de o desejar.
 
Esse medo mórbido é filho do sofrimento, típico de pessoas maltratadas pela vida, desprovidas de ilusão, frustradas em seus sonhos passados; ou ainda chorando por um relacionamento que já acabou, que já foi destruído, que já não existe mais, que está morto e enterrado.
 
Mas que, a despeito de meses, anos ou décadas decorridos, continua sendo motivo de constante derramamento de lágrimas, tornando, assim inviável, a felicidade que ainda poderia existir, se esse sofrimento todo pudesse ser debelado.
 
E o que é ainda pior: a síndrome é ainda complementada por toda sorte de sentimentos negativos e contraditórios que são experienciados: culpa, raiva, rancor, autodepreciação, inconformismo, desejo de vingança, indiferença forjada, instabilidade emocional, extrema irritação e, conforme já referido, falta de perspectivas.
 
Entretanto, como não poderia deixar de ser, está claro que tais pessoas estão simplesmente dificultando as coisas, com o objetivo inconsciente de evitar um temido novo envolvimento, utilizando-se, para isso, de expedientes que são apenas os “sintomas” que escondem o medo irracional de se envolverem emocionalmente e de "correrem o risco" de serem felizes outra vez!
 
Trata-se, na verdade, de um “autoboicote”. Mas, tenho uma boa-nova para você: a Síndrome da Mulher de Ló tem cura! De outra sorte não haveria propósito escrever estas linhas.
 
Existe, na verdade, uma oportunidade de um recomeço, de um refazer a vida de uma forma mais feliz. É a chance que se abre para um novo amor, para uma nova perspectiva, para com uma nova e excitante expectativa repleta de esperanças. Procure refletir no texto abaixo:
 
Arriscar é Viver

"Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar a expor seu eu verdadeiro.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer.
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas...é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer,
mudar, viver...Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;
Abrem mão de sua liberdade. Só a pessoa que se arrisca é livre...
Arriscar-se é perder o pé por algum tempo?. Não arriscar é
perder a vida..."

(Soren Kierkegaard)
 
Antônio Tadeu Ayres
Psicanalista cristão, Bacharel em teologia
Visite o site: Relacionamento Cristão
http://relacionamentocristao.blogs.sapo.pt/
publicado por Antonio Tadeu Ayres às 20:21

AS MULHERES ESTÃO TOMANDO A INICITIVA NOS RELACIONAMENTOS. DEVO FAZER O MESMO?

namoroMinha querida amiga,

Graça e Paz para você!

Antes de responder à sua pergunta, vou reportar-me ao fato da história de sua vida, que você me contou que, aos 39 anos de idade, divorciada há seis, com três filhos com idades entre 17 e 22 anos, está infeliz, porque um de seu filhos, inconformado com a situação, deixou a igreja e isso, obviamente, preocupa você.

Quero lhe explicar que, emocionalmente falando, não é só o indivíduo, sozinho, que fica doente. Quando os laços familiares se desestruturam, normalmente a família inteira sofre as consequências e instala-se nela aquilo que chamamos de "patologia familiar". Ao se instalar essa patologia familiar, é comum que um dos filhos, normalmente o mais sensível, assuma, na figura que a psicanálise chama de "bode expiatório", os sintomas dessa patologia, para que o resto da família consiga ficar razoavelmente saudável. É claro que esse processo todo é inconsciente.

A meu ver, foi isso que aconteceu com o seu filho que saiu da igreja. Ele, como que "incorporou" a doença de um casamento mal acabado (porque ele não queria que acabasse) e "ficou enfermo", assumindo o "sintoma-protesto" de sair da igreja.

Você me pergunta se deve fazer terapia. Acho sempre ótimo poder fazer terapia, mas, com toda a honestidade, devo lhe dizer que, conforme consigo perceber, esse seu filho precisa muito mais do que você, dessa terapia. Procure cuidar disso!

Agora, respondendo à sua pergunta:

Você tem razão, quando diz que muitas mulheres estão tomando a iniciativa nos relacionamentos. De "caçadas", passaram à "caçadoras". E muitas delas, com enorme voracidade!

Embora sempre existam honrosas exceções, é comum, nos dias de hoje, uma mulher aceitar o convite para jantar de um "cavalheiro" que ela conheceu na Internet e ir para o encontro, não só sabendo, mas também desejando, e utilizando todas as armas de sedução que possui, para ser "a sobremesa". Em outras palavras, desejando que o "jantar" termine na cama! E é lógico que o "cavalheiro" em questão, pega o tabuleiro de xadrez e dá o xeque-mate! Mais um troféu para ele! Mais uma perua abatida e mais uma marquinha no cabo de sua espingarda!

Minha opinião: Não embarque nessa!!! Esse tipo de mulher jamais terá o respeito desse homem! Para ele, ela é como se fosse um coador de papel que ele usa e DESCARTA! Pode até continuar a "tirar uma casquinha" enquanto a "ficha" da vítima não cai. Mas, na hora que ela fechar o cerco para um relacionamento mais sério, como o casamento, por exemplo, o "cavalheiro" arruma mil desculpas: "ou sofre de determinada doença e tem que gastar muito dinheiro"; "ou tem que sustentar a ex e os filhos que estudam no exterior"; "ou têm que terminar o curso de pós-graduação", "ou têm de cuidar da fazenda no interior de Goiás" e centenas de outras desculpas esfarrapadas.

Homens como esse precisam ser reconhecido e desprezados pelas mulheres, principalmente, as cristãs!

O que querem mesmo é botar o pé na estrada, "queimar o chão", como os jovens dizem, na gíria, e partirem em busca da próxima vítima, do novo "troféu".

Mulheres caçadoras sempre acabam nas malhas dos "Don Juans" de plantão! E acabam envelhecendo, correndo de mãos em mãos, sem um verdadeiro amor para viver, vazias e infelizes!

Salomão tinha razão ao dizer que "vã é a graça e enganosa a formosura". Isso tudo passa, minha amiga. Mas o verdadeiro amor nunca temina!

Tive o privilégio de conhecer uma pessoa muito sensata que costuma dizer: "Bons homens existem. E, bons homens estão à procura de boas mulheres". Leia o capítulo 31 de Provérbios, sem preconceitos. E você saberá o que deve fazer.

Para o homem de hoje, acostumado às "facilidades" que as mulheres disponibilizaram para eles; facilidades essas que os seus pais, quando jovens só encontravam nas antigas "casas de tolerância", encontrar uma mulher bonita, charmosa, encantadora e fiel a Cristo, é como encontrar uma jóia preciosa num campo, e - até utilizando a metáfora de Jesus sobre o valor da salvação - por amor a ela, ele "corre, vende tudo o que tem e compra aquele campo". Só para adquirir a jóia que encontrou!

É mais difícil assim? Certamente! Mas quando isso ocorrer, terá valido toda a pena do mundo!

O último censo do IBGE realmente demonstrou que o Brasil possui mais mulheres que homens. Mas, numa percentagem quase insignificante, levando-se em conta a população como um todo.

O seu amado existe, minha amiga. Tem um nome, um endereço, uma profissão e, certamente, um coração alcançado por Deus. Apenas você não o encontrou ainda!

Porém, como dizem as Escrituras Sagradas:
"o que ninguém nunca viu ou ouviu, e o que jamais alguém pensou que podia acontecer, foi o que Deus preparou para aqueles que o amam." (1. Co. 2.9)

Que o amor de Cristo inunde o teu coração!

Nele, que em todas as coisas é fiel!

Antônio Tadeu


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sinto-me: mulheres, iniciativa, igreja
publicado por Antonio Tadeu Ayres às 03:34
Segunda-feira , 13 de Outubro DE 2008

O QUE VOCÊ ACHA DO NAMORO COM SEXO (PESSOAS INDEPENDENTES)?

SEXUALIDADEMeu Querido Francisco,

Graça e Paz,

A respeito de sua pergunta, peço-lhe que leia a resposta aqui publicada, da carta à moça divorciada que, de uma certa forma, apresentou a mesma questão. Creio que obterá algum esclarecimento ali. No entanto, como você deixa claro que tem dúvidas sobre sexo antes do casamento, entre "pessoas independentes", confesso-lhe que não tenho como saber o que quis dizer, exatamente, com essa expressão. Então, talvez, valha a pena, algumas considerações.

Creio que, como disse conhecido escritor evangélico: "o dia que o cristianismo fizer amizade com o mundo, deixará de existir, como cristianismo". É por isso que Paulo nos ensina: "não vos conformeis com este mundo", o que equivale a dizer: "não se amoldem ao mundo", ou, "não sigam os padrões do mundo". E o que fez o mundo de hoje, com o sexo? Banalizou-o, estropiou-o e o escancarou sob a forma de pornografia animalesca, grotesca e bizarra, através de filmes, revistas e páginas da Internet!

Então, passou-se, ao contrário do que ensinava o antigo filósofo grego: "in médio virtus" (a virtude está no meio), da repressão absoluta para a libertinagem escancarada, tornando verdadeiro o pressuposto de outro filósofo (Protágoras) que dizia: "o homem é a medida de todas as coisas", o que, para o cristão é manifestamente um equívoco rasteiro, porque todos sabemos que Deus, e não o homem, deve ser a medida de todas as coisas, inclusive aquelas ligadas à sexualidade.

Esse é um lado do problema. O outro é aquele sobre o qual já tivemos oportunidade de comentar aqui, que o instinto sexual não é algo "demoníaco", mas uma coisa boa, planejada pelo próprio Deus para o bem. É esse instinto que impele o homem em direção à mulher e a mulher em direção ao homem. E é bom e gostoso vivê-lo, desde que, com a consciência tranqüila!

Se é lícito ou não praticá-lo fora do casamento, somente essa consciência tranqüila, o livre arbítrio e balizas éticas de cada um (não estou falando aqui de moralismo, tampouco de legalismo!), e que podem ser inferidas da própria Palavra, é que poderão servir como árbitros para esclarecer a questão.

Creio que a base para tudo deve ser o amor comprometido, leal, fiel e verdadeiro, o desejo de compartilhar a vida a dois, sob as vistas de Deus, mediante um acordo que chamei aqui, no outro artigo, de casamento teológico - muito mais importante que o casamento civil ou religioso, que, para muitas pessoas, já fracassou, há muito.

Com isso, estou querendo dizer que, quem tem Deus na vida não vive na promiscuidade, fazendo sexo por sexo, sem vínculo, sem amor e sem compromisso. Isso não passa de pura sensualidade, que não é aprovado pela Palavra, nem saudável, psicologicamente falando.

Se essas "pessoas independentes", às quais você se refere, vivem um amor verdadeiro, sério, com o desejo de que seja uma relação para a vida, sob o olhar de Deus, então quem sou eu para julgar errado?

Mas se for apenas "transa" descomprometida, sexo livre ou homossexual, descartável a qualquer momento, certamente, além de pecado, será fonte de graves doenças emocionais, pois fará com que as pessoas que o praticam entrem num círculo vicioso que gera culpa, que exige expiação, a qual por sua vez, gera mais culpa, que demanda mais expiação, até que a vida se torne um inferno.

Isso, não é, certamente, o que Deus planejou para os seus filhos. Nele temos a promessa de uma vida abundante!

Espero ter podido ajudar.

Viva a vida Nele, em Quem tudo podemos!

Um grande abraço,

Antônio Tadeu

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publicado por Antonio Tadeu Ayres às 23:34

SERÁ QUE ALGUM DIA SEREI PERDOADA PELO ABORTO QUE COMETI?

AbortoMinha querida amiga M.

Graça e paz para você!

Tenho procurado destacar neste site o valor da abundante graça de Jesus. Porém percebo que, o que eu já fui no passado, muitas pessoas continuam a ser ainda no presente, ou seja: não conseguem vislumbrar a dimensão dessa graça maravilhosa e nem conseguem atinar que, por causa dela, os nossos pecados são perdoados por completo, e não precisamos mais pagar preço algum por eles, pois a cédula que era contra nós foi rasgada na cruz!

Veja o seu caso. É uma mulher madura, profissionalmente, bem sucedida, com três filhos quase adultos, um marido honesto e também bem sucedido em sua carreira; cristã evangélica, conhecedora da Palavra, com responsabilidade ministerial na igreja, mas ainda carregando, há mais de 25 anos, o fardo da culpa de um pecado que, embora grave, para Deus já não existe mais, porquanto você buscou com lágrimas o perdão, que somente Ele mesmo poderia lhe proporcionar!

Veja, você engravidou desta criança que abortou enquanto ainda eram noivos. Eram muito jovens e não tinham se casado, mesmo porque, ambos ainda eram estudantes e imaturos. Se não fosse assim, nem grávida você teria ficado.

Não se pode afirmar, com sensatez, que a decisão que tomaram foi "cuidadosamente planejada". E, além disso, naquela época, (conforme você mesma me relatou), nem você e nem seu marido conheciam a Jesus. É patente que, nessas circunstâncias, nem conseguiram discernir direito a gravidade do ato errado sim, mas que, como disse, imaturamente praticaram.

E agora, mais de vinte e cinco anos depois, você ainda não se perdoa e sofre as conseqüências de uma culpa terrível que já não deveria existir há muito, porquanto Jesus já a levou sobre Si!

Minha querida amiga, se Jesus perdoou e continua perdoando ladrões e assassinos; psicopatas e maníacos; prostitutas e traficantes, por que razão não perdoaria uma jovem de pouco mais de dezessete anos de idade que, sob a pressão do, então namorado, e sem condições de discernir corretamente o ato que estava praticando, abortou um filho? Porventura a Sua graça é pequena demais para perdoar esse tipo específico de pecado?

Não estou defendendo aqui a legalização do aborto, que para mim, continua sendo, além de uma séria ofensa contra a vida, uma ofensa contra Deus. Mas, a missão a que me propus, com este trabalho, é a de defender a sanidade mental e emocional de pessoas que sofrem desnecessariamente, como você!

Será que não percebe que, insistindo em carregar essa culpa dentro de seu coração por tantos anos, além de estar se depauperando emocionalmente, está também desprezando o altíssimo preço que Jesus pagou pelos seus pecados? E isso pode tomar proporções tão agravadas que pode inviabilizar o seu casamento e a integridade de sua família?

Olhe, por favor, faça um favor a si mesma e pare de sofrer.

Diga: "Senhor eu te agradeço porque o preço de meu pecado foi totalmente pago por ti! Eu te agradeço porque sei que compreendestes a minha fragilidade e a minha falta de fé e eu ainda não havia compreendido isso. Eu te agradeço porque essa experiência, que me fez sofrer tantos anos, acabou por tornar-me uma pessoa melhor! E, finalmente, eu te agradeço porque, pelo Teu poder e pela Tua graça, eu me sinto limpa, perdoada de todo pecado e liberta de toda culpa! Obrigada por essa graça. Amém!"

Confie que suas palavras foram ouvidas por Ele e que você NÃO PRECISA MAIS CARREGAR FARDO ALGUM!

Siga em frente, vivendo alegre, leve e feliz! Isso não se chama "passe de mágica". Isso se chama Graça!

Que confiado Nele, que tudo pode, sua vida seja abundante!

Seu amigo

Antônio Tadeu


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música: aborto, pecado, perdão
publicado por Antonio Tadeu Ayres às 02:14
Quinta-feira , 11 de Setembro DE 2008

O TRAUMA DE UM CASAMENTO TERMINADO E O MEDO DE SER FELIZ NOVAMENTE

Não é conveniente permitir que uma ferida fique aberta, incomodando, e com o risco de infeccionar, só para que a pessoa que a tem não sinta mais dor por ter de mexer nela.

Melhor é enfrentar a dor de frente, expondo a ferida ainda mais, realizando a assepsia necessária, para só então, suturá-la e permitir que haja uma cicatrização natural.

A metáfora da "ferida aberta" utilizada acima, infelizmente tem uma aplicação prática muito real na vida de muitas pessoas divorciadas que, em virtude de terem sofrido demais com o término de seu casamento, estão literalmente paralisadas de medo: medo de arriscar-se a ser feliz novamente num possível novo relacionamento.

Convém que façamos aqui um esclarecimento: esse medo mórbido sobre o qual estamos falando nada tem a ver com o processo natural de luto, que acontece em toda separação.

O divórcio é um processo doloroso e a perda da outra pessoa inicia um período de luto. Depois da morte física, propriamente dita, ele é o segundo fator mais estressante na vida do ser humano, e a experiência do luto, quase que necessariamente, faz parte dele.

Durante esse período de luto, que leva em média, entre um e dois anos para terminar, toda sorte de sentimentos negativos e contraditórios são experienciados: culpa, raiva, rancor, autodepreciação, inconformismo, desejo de vingança, indiferença forjada, instabilidade emocional, extrema irritação, falta de perspectiva, etc. Esses sentimentos, como que pintam a vida da pessoa de um cinza-chumbo tão pesado que parece que a tempestade nunca terá fim.

No entanto, decorrido os primeiros meses, ao final do primeiro ano e início do segundo, a situação já não é tão negra. Há mágoas, obviamente, mas o tempo tem o condão de suavizá-las. Se tudo der certo, o arco-íris em breve surgirá e o sol voltará a brilhar, trazendo um horizonte novo à vida da pessoa.

É quando se inicia de fato, a oportunidade de um recomeço, de um refazer a vida de uma forma mais feliz. É a chance que se abre para um novo amor, para uma nova perspectiva, para com uma nova e excitante expectativa, cheia de esperanças. Esse é o processo normal.

Mas, não é dele que estamos nos ocupando. Falamos de pessoas que, divorciadas há sete, oito, dez ou mais anos, não conseguem envolver-se emocionalmente o suficiente para apostar tudo numa nova relação. É para essas pessoas que estamos escrevendo.

Se você é uma delas, ou conhece alguém que age dessa maneira, procure refletir no que iremos dizer. Essas pessoas, como que "cristalizaram" ou "fossilizaram" suas emoções. Encontraram mil desculpas para não se envolverem emocionalmente e sofrem muito com isso!

Estão na situação do asno que morreu de fome bem no meio de dois montes de feno, por não ser capaz de decidir qual dos dois iria comer!

De um lado, desejam ardentemente, ser felizes. De outro, deixam-se boicotar pelo próprio medo e acabam fugindo da felicidade. Criam toda sorte de mecanismos de defesa, sob os quais escondem o seu temor.

Algumas se tornam extremamente exigentes: "Só se permitirão envolver-se com alguém socialmente influente; economicamente bem colocado; educacionalmente com formação acadêmica, etc, etc".

Outras chegam a ser cruéis e frias em suas avaliações: A marca, o modelo e o ano do carro do pretendente; seu(s) possível(eis) apartamento(s) de alto padrão, casa de campo, casa de praia, gordo salário e outras coisas como essas, passam a ser a meta a ser alcançada.

Psicanaliticamente falando, está claro que tais pessoas estão simplesmente dificultando as coisas, com o objetivo inconsciente de evitar o temido envolvimento, utilizando-se de expedientes que são apenas "máscaras" que escondem o medo irracional de se envolverem emocionalmente e de "correrem o risco" de serem felizes!

Apenas para lembrar uma passagem bíblica que poria por terra todas essas "pretensas" exigências descabidas, bastaria lembrar I Tm. 6.7-9: "O que foi que trouxemos para o mundo? Nada! E o que é que vamos levar do mundo? Nada! Portanto, se temos comida e roupas, fiquemos contentes com isso. Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição".

É preciso, então, que os processos de "cristalização" e de "fossilização" das emoções comecem a desfazer-se. Quem sabe a leitura deste artigo não seja uma primeira fagulha para permitir que isso aconteça?

A você, meu/minha querido (a) leitor (a) que sabe que se encontra na situação que descrevemos, e entende que, para ser feliz é preciso sair dela, lançamos-lhe um desafio: Sob a direção de Cristo, Senhor de nossas vidas, assuma com coragem, o destino de suas próprias decisões. Dê a si mesmo (a) a chance de voltar a ser feliz!

Encerrando este artigo, para a sua reflexão, deixamos o riquíssimo texto, que muito tem a ver com o que aqui tem sido abordado. Receba-o como um presente!

Arriscar é Viver

"Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar a expor seu eu verdadeiro.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer.
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas...é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada...
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer,
mudar, viver...Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;
Abrem mão de sua liberdade. Só a pessoa que se arrisca é livre...
Arriscar-se é perder o pé por algum tempo?. Não arriscar é
perder a vida..."

(Soren Kierkegaard)

E, não se esqueça: ao contrário do que muitos preferem acreditar, a vida não é uma esfera indestrutível de aço. A vida é uma tênue e frágil bolha de sabão, que pode se arrebentar e sumir a qualquer momento. Convém arriscar-se a ser feliz...antes que a bolha de sabão já não exista.

Que tal pensar um pouco nisso?

Antônio Tadeu Ayres

publicado por Antonio Tadeu Ayres às 19:11

A DIFERENÇA DE IDADES PODE IMPEDIR UM RELACIONAMENTO FELIZ?

Entramos, ao abordar este assunto, num tema ao mesmo tempo muito controvertido e muito atual. Até há algum tempo atrás, se uma mulher se casasse com um homem mais novo, por exemplo, isso seria algo quase que inaceitável pela sociedade, que polemizava a situação "ad nauseam".

Hoje, no entanto, principalmente depois que conhecidas apresentadoras e atrizes da TV assumiram um relacionamento com homens muito mais novos do que elas, a situação mudou radicalmente. Namorar ou até mesmo se casar com alguém bem mais jovem virou moda. (Não é à toa, que, em se tratando da capacidade de influenciar pessoas que a mídia tem, a televisão é considerada o quarto poder, ao lado do Exército, da Marinha e da Aeronáutica)!

No entanto, simplesmente criticar essa atitude, sem maiores preocupações seria, obviamente, preconceito de nossa parte. É preciso refletir sobre essa questão de uma maneira sensata, sóbria e equilibrada. Como cristãos, somos conclamados a viver uma nova vida, mas nesse "nova" não está implícito o direito de agirmos como juízes de outras pessoas. Podemos, no máximo, exprimir, sem forçar a barra, a nossa opinião.

O PENSAMENTO PAULINO

No que se refere ao casamento, o apóstolo Paulo nunca escondeu a sua opinião pessoal de que era preferível para os cristãos que permanecessem celibatários. No entanto, admitia, é claro, a união conjugal. Veja o que ele diz:

"Você tem esposa? Então não procure se separar dela. Você é solteiro? Então não procure esposa. Porém se você se casa, não comete pecado. E se a moça solteira se casa, também não comete pecado. Mas eu gostaria de livrá-los dos problemas que vocês terão na vida de casados" (I Cor. 7.27-28). "Eu quero livrá-los das preocupações. O solteiro se interessa pelas coisas do Senhor, porque quer agradá-lo" (I Cor. 7.32).

No mesmo capítulo, no verso 39, ele diz: "A mulher não está livre enquanto o seu marido vive. Caso o marido morra, ela fica livre para se casar com quem quiser. Mas, deve ser casamento cristão. Porém, ela será mais feliz se ficar como está. Esta é minha opinião, e penso que eu também tenho o Espírito de Deus".

CASAR-SE COM MENOS OU MAIS IDADE

O leitor mais atento deve ter notado que, no texto de Paulo acima, grifamos as expressões: "moça solteira" e "com quem quiser". Existe uma razão para isso. Analisando o contexto, percebe-se que, no primeiro caso, o apóstolo está se referindo a pessoas mais novas (os jovens, que, como é natural nesta época da vida, desejam casar-se e constituir família). A palavra "moça" deixa muito claro isso.

No segundo caso, quando Paulo está falando sobre o vínculo matrimonial, ensina às mulheres que este termina, com a morte do marido. E então diz que, ocorrendo essa hipótese, a mulher fica livre para casar-se "com quem quiser", desde que o casamento seja cristão.

Refletindo um pouco sobre essa expressão ("com quem quiser") claro está que, desde que o novo cônjuge seja cristão, não existe nenhuma restrição em relação à idade. Esse novo relacionamento pode, obviamente ser com uma pessoa mais nova, mais velha ou da mesma idade. Certamente que a experiência de vida e a maturidade devem ser os árbitros nessa questão. Afinal de contas, existe um ditado popular que diz que "cada um sabe onde o sapato aperta". Isso, na vida cotidiana dos seres humanos é uma verdade que não pode ser ignorada.

O MUNDO REAL QUE PRECISA SER LEVADO EM CONTA

Existem, na vida de todas as pessoas (inclusive as cristãs evangélicas), um mundo real e um mundo da fantasia. Psicanaliticamente falando, diríamos que há um "mundo consciente" e um "mundo inconsciente". Infelizmente, a maior parte dos erros cometidos pelas pessoas, ocorre, porque elas estão sendo guiadas pelo seu "mundo inconsciente". Daí, a necessidade que vimos, na escrita deste artigo.

No início dele, fizemos referência "à moda", hoje vigente na sociedade, notoriamente entre mulheres famosas da televisão, de estarem assumindo um relacionamento estável ou se casando com homens que poderiam ser seus filhos. Será que essas pessoas poderiam servir como modelos para a Igreja de Cristo, assim como estão sendo para a sociedade como um todo?

Creio que o texto de Romanos 2.2 serviria como uma resposta adequada à essa pergunta: "Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por uma completa mudança de suas mentes. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus que é boa, perfeita e agradável a ele".

O QUE NOS ENSINA A BIOLOGIA?

O estudo sistemático dos fatores biológicos, que intervêm nas diversas etapas da vida do ser humano, comprova algumas verdades que não devem ser desconsideradas.

Uma delas é que, em função da maior complexidade do organismo feminino (afinal é a mulher que foi "programada" para a gestação), ela não apenas possui uma série de órgãos que o homem não tem (útero, trompas, ovários, etc); como também, tem uma diversidade hormonal extremamente significativa. Isso a leva a passar por problemas que não afligem os homens: TPM (tensão pré-menstrual, menstruação, instabilidade emocional, maior propensão para problemas com a tireóide, etc). Isso, sem mencionar os outros que se acrescentarão, na época da menopausa.

Esses fatores, combinados com o fato de que é a mulher que carrega dentro de si por nove meses o filho, a cada nova gravidez; e que é quem realmente dá à luz a eles (isso interfere extremamente em seu metabolismo) acaba redundando num fato: geralmente os sinais da idade se apresentam mais cedo para ela! Em outras palavras (cirurgias plásticas e reposições hormonais à parte) a mulher envelhece mais cedo que os homens. É claro que existem exceções, mas geralmente as coisas acontecem assim.

Por essa razão, artigos médicos têm sugerido que, para amenizar os problemas que poderão advir dessas diferenças, seria (idealmente falando) recomendável que houvesse uma diferença entre quatro e seis anos entre o homem e a mulher. Colocando com mais clareza: o casal ideal seria aquele em que o homem seria entre 4 e 6 anos mais velho do que a mulher.

O QUE NOS ENSINA A PSICOLOGIA?

Dissemos em um outro artigo que, após a puberdade, por volta dos dezessete ou dezoito anos de idade, uma moça é muito mais madura do que um rapaz. Mas isso nem sempre é assim e, mesmo que fosse, essa não é uma situação que costuma perdurar para sempre.

Psicologicamente falando, tanto o homem quanto à mulher podem ser imaturos ou maduros, em qualquer época da vida. Julgamos que é nesse ponto que se concentra a maior importância de nossa reflexão. Por esse motivo, aconselhamos que, além de pensar bastante sobre tudo o que já dissemos até aqui, você que tenciona ou não descarta a possibilidade de envolvimento emocional com outra pessoa com grande diferença de idade, considere também os seguintes aspectos:

1.O relacionamento entre pessoas com diferenças de idade tem um grau de complexidade maior. Casais assim costumam ser vítimas de críticas, preconceitos e ironias.

2.Os riscos de uma relação desfavorável, nesse tipo de casamento, geralmente advêm de conflitos provenientes das fases diferentes da vida dos cônjuges. Desníveis educacionais, motivacionais e de idéias em geral podem levar a conflitos.

3.Nunca é demais lembrar que, quando não existe amor, as motivações para o relacionamento entre mulheres mais velhas e homens mais novos podem ser contra-indicadas, por razões, às vezes, excusas: O homem em questão pode estar à procura de facilidades financeiras e a mulher pode estar vivendo uma dificuldade em aceitar o seu processo natural de envelhecimento.

4.Embora muitos não concordem, a verdade é que é um fato comprovado pela psicanálise que o homem pode estar procurando na mulher mais velha, uma mãe; e a mulher pode estar procurando nele um filho. Isso, configuraria, a nível inconsciente, um "incesto", com implicações psicológicas inadequadas.

5.O mais novo pode estar buscando no outro uma pessoa para se relacionar que tenha mais cultura, maturidade e sabedoria. A ausência de um amor autêntico, neste caso, teria conseqüências desastrosas.

6.Seres humanos têm necessidade de afeto. Isso se traduz naquele desejo saudável de se envolver amorosamente e ser correspondido. No entanto, ao conseguir essa correspondência, outras emoções podem surgir: paixão, apego e alegria. Todavia, quando a paixão permite que se abra um espaço para a realidade, a seguinte pergunta pode ser inevitável: "como posso ser capaz de amar uma pessoa tão mais velha que eu?"

7. Ao entrar nesse tipo de relação, os envolvidos devem ter a consciência de que ela está unindo pessoas com momentos de vida diferentes. Por essa razão, é preciso avaliar todas as prioridades e estar disposto(a) a fazer concessões. Quando a diferença de idade é muito grande, sempre ocorrerá alguma perda.

CONCLUSÃO

É possível que o leitor que nos acompanhou até aqui tenha imaginado que a nossa conclusão pudesse ser diferente da que estamos apresentando. Pessoalmente, sabemos das dificuldades por que passam os cristãos (as mulheres, em especial) em encontrar um companheiro digno, para a vida.

Portanto, relembrando a expressão de Paulo, utilizada neste artigo de que as mulheres estão livres para casarem-se "com quem quiser", desde que o casamento seja de acordo com os preceitos cristãos, pensamos que esse "com quem quiser" abarca pessoas de qualquer idade, inclusive mais novas, se for o caso.

Dificuldades na relação existem sempre, com diferenças de idade ou não. Por outro lado, é certo que idade não é sinônimo de maturidade nem garante o conhecimento do sexo oposto. A solução que vislumbramos, portanto, ao se conviver com um parceiro com uma diferença grande ou pequena de idade é simplesmente admirá-lo, aceitá-lo e amá-lo por tudo o que é e representa. O resto é o resto.

Para finalizar esta reflexão, colocamos esta citação, de Guy de Maupassant: "Quando duas pessoas se amam, nada é mais imperativo e delicioso para elas do que dar; dar sempre e tudo: os próprios pensamentos, a própria vida, o próprio corpo e tudo o que se tem; e sentir a doação e arriscar tudo a fim de ser capaz de dar mais, ainda mais"

Nunca se esqueça, contudo, de que não escrevemos este artigo meramente por escrever. Se você o leu com cuidado, terá percebido que ele pode ser revelador. Portanto, tenha sempre em vista que, nesta questão da idade, como em qualquer outra na vida, equilíbrio, sensatez e sobriedade não farão falta a ninguém.


Antônio Tadeu Ayres

publicado por Antonio Tadeu Ayres às 18:54

QUAL É A IDADE IDEAL PARA SE CASAR?

Vivendo num mundo pós-moderno, como o nosso, que praticamente "detonou" os valores tradicionais sob os quais foi estruturada a socialização daqueles que atualmente são considerados pessoas adultas, ou seja, os pais e avós dos jovens e adolescentes de hoje, é preciso ter muita sobriedade para considerar a resposta à pergunta que constitui o título deste artigo, tendo, como pano de fundo a ética cristã, da qual não podemos nos dissociar, se desejarmos discutir o assunto com integridade.

A partir desse pressuposto, creio que um fato natural, básico para fundamentar nossa argumentação é o de que a vida do ser humano transcorre num lapso de tempo (que pode ser 70, 80, 90 ou mais anos) no qual são acionados todos os "gatilhos" do relógio biológico, com os quais o homem veio à vida equipado.

Assim é que a criança que nasce sem dentes, com poucos meses tem o primeiro "gatilho" acionado, com a chegada da primeira dentição. Por volta dos 6 anos, temos o acionamento do segundo "gatilho" com a queda dos "dentes-de-leite" e a chegada da segunda e definitiva dentição.

Posteriormente, à medida que o tempo passa, vamos observando os sucessivos "gatilhos": puberdade, ao redor dos 11-12 anos, com a menarca (primeira menstruação) para as meninas e com a capacidade de produção de sêmen para os meninos. Muito mais tarde, por volta dos 50 anos, ocorrem o climatério, a menopausa, até o início da degeneração da vida biológica, cujo desfecho culmina com a morte, evento que, embora traumático, também faz parte da natureza.

CAPACIDADE BIOLÓGICA

Se fôssemos levar em conta apenas o aspecto biológico da questão, não haveria como contestar o fato de que, com o evento da puberdade, a partir do qual a mulher possui a capacidade de ovular e o homem a capacidade de produzir espermatozóides, fatores essenciais para a perpetuação da espécie, ambos estariam aptos para casar e gerar filhos.

No entanto, quando isso acontece (e na verdade é um fato, pois a cada ano aumenta o número de adolescentes grávidas!) acaba se transformando num transtorno, que envolve a adolescente em questão (que não foi preparada para a maternidade e deveria prosseguir em seus estudos); o pai da criança (normalmente também um adolescente que ainda nem chegou ao seu primeiro emprego); a criança em si (que poderá ser criada num ambiente muito diferente do ideal) e os pais de ambos, que acabam por assumir responsabilidades que não lhes caberiam ou para as quais também estão despreparados.

Colocada dessa forma, que a nosso ver é a correta, vê-se que seria um absurdo se a sociedade incentivasse, ou mesmo permitisse o casamento onde os nubentes seriam garotos de 12,13 ou 14 anos de idade. Em nossa cultura, isso seria simplesmente um disparate, embora não seja impossível que aconteça. No entanto, quando, infelizmente, acontece, a metáfora mais apro-priada para descrever esse fato talvez seja a conhecida canção infantil:

"... o anel que tu me destes era vidro e se quebrou,
O amor que tu me tinhas era vidro e se acabou..."

Isso significa que a criança (simbolizada pelo "anel de vidro" da canção) era frágil, e se quebrou, queimando uma etapa no seu processo de amadurecimento: perdeu as alegrias da adolescência e "adultizou-se", pela maternidade/paternidade precoce. Uma pena!

O que nos resta a dizer, à essa altura de nosso pensamento, é que, embora na adolescência (entendida aqui desde a puberdade até os 17 0u 18 anos de idade), a menina se desabroche, como a flor, numa linda mulher e o menino assuma os caracteres de virilidade próprios de um homem feito, emocionalmente, na quase totalidade dos casos, serão imaturos para assumirem uma responsabilidade tão complexa como a do casamento.

CAPACIDADE PSICOLÓGICA

Aqui entramos num outro enfoque da questão: o enfoque da evolução emocional, que é a que realmente interessa, no sentido de que, o ser humano torna-se apto para tomar sobre seus ombros determinadas responsabilidades, quando está emocionalmente preparado para tal. Isso não é diferente, no que se refere ao casamento.

Do ponto de vista da psicologia, um adolescente adquire a "idade da razão" por volta dos 14 anos, uma vez que é a partir dessa idade que se torna capaz de discriminar o certo do errado. Esse é o motivo pelo qual a maioria das igrejas só admite a chamada "profissão de fé" e o batismo, a partir dos 14 anos, pois, tecnicamente, segundo algumas correntes teológicas, seria a partir daí que ela seria capaz de distinguir com clareza aquilo que é pecado e contrário à vontade de Deus.

No entanto, a idade da razão não serve como parâmetro para determinar a aptidão emocional para o casamento. A experiência de vida: conquistas, frustrações, alegrias e decepções são vivências que farão parte, necessariamente do amadurecimento do indivíduo. Aprender a lidar com essas experiências significa aprender a interagir com a vida, ensinando a pessoa em processo de crescimento a analisar cada situação, refletir a respeito e tomar as decisões mais adequadas em relação a elas.

A conquista do emprego desejado, a oportunidade de cursar um curso superior ou técnico almejado, a aquisição de determinados bens materiais e, fundamentalmente, a consciência do quanto se tem de lutar para alcançar tais objetivos, são fatores imprescindíveis na consolidação dessa experiência que o (a) jovem deve ter para pensar em casamento.

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA

A família de origem é, do ponto de vista psicanalítico, de longe o fator que mais pode influir positiva ou negativamente nas pessoas. Ela pode ser tanto uma bênção como uma desgraça no desenrolar da vida delas.

Isso porque ela funciona como o primeiro "espelho" onde o ser humano verá refletida a sua imagem, e, a partir dessa imagem refletida, construir uma auto-estima positiva ou negativa.

Se a família for disfuncional (pais separados, alcoólatras, indiferentes, intolerantes, ausentes, etc), o(a) filho(a) estará vendo a sua imagem num espelho defeituoso e, como resultado, construirá uma imagem defeituosa sobre si mesmo(a).

Já o inverso é absolutamente verdadeiro. Uma família funcional (pais amorosos, compreensivos, disponíveis, abertos ao diálogo, nutritivos, etc) terá o efeito de um espelho de cristal (perfeito) e fornecerá todas as condições para que o(a) filho(a) tenha uma elevada auto-estima, fundamental no desenvolvimento de suas própria vida, principalmente quando viver sua própria experiência dentro do casamento.

E A IGREJA, COMO FICA?

Paulo, escrevendo a Timóteo, diz: "Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo". (I Tm. 5.8). Embora o contexto nos indique, neste versículo, que o apóstolo está falando principalmente do cuidado que os filhos e parentes próximos devem ter para com a viúva idosa, não seria absolutamente de nenhum prejuízo aplicarmos este ensinamento ao cuidado que os pais precisam ter para, com muita sobriedade e sabedoria, instruírem seus filhos em relação à responsabilidade do casamento.

No entanto, seria falta de sensibilidade de nossa parte reconhecer honestamente que, infeliz-mente, um número muito pequeno de famílias cristãs está realmente preocupado em orientar seus filhos para a experiência do casamento.

Dá-se muita ênfase à questão da capacidade em montar uma casa (própria ou alugada), na escolha dos móveis, nas questões materiais e até mesmo, em coisas muito insignificantes, como a escolha de padrinhos e madrinhas adequados, tipo de recepção e outras coisas dessa natureza; e despreza-se o principal, que é, sem dúvida o preparo emocional e a busca da maturidade psicológica do(a) filho(a) que irá se casar.

É aqui que, sob a nossa ótica, a igreja precisa entrar em ação, para suprir essa deficiência, planejando e levando à frente programas que contemplem tópicos como os que se seguem:

·Instrução aos pais sobre o que é realmente importante ensinarem a seus filhos em pers-pectiva de se casar, principalmente no que diz respeito à maturidade psicológica.

·Ensino aberto e esclarecedor aos jovens nubentes, incluindo: responsabilidades exigidas pela nova vida de casado, provisão/provimento de um lar, instrução clara sobre a sexualidade, diferenças psicológicas entre o homem e a mulher, etc.

·Curso abrangente sobre maternagem/maternidade, acompanhamento médico durante a gestação, preparação para o parto, etc.

É evidente que tudo isso, como o leitor percebe, seria de responsabilidade da família, mas como conhecemos bem nossa realidade, infelizmente, as famílias não estão preparadas para tanto e, se a igreja se omitir, nunca esse problema será resolvido, trazendo, como conseqüência outros muito piores, que todo pastor experiente já conhece.

AFINAL DE CONTAS, ENTÃO, QUAL É A IDADE IDEAL PARA SE CASAR?

Bem, depois de toda a exposição que fizemos, creio que a pergunta já pode ser respondida. Sua resposta pode surpreender, mas, na realidade, é muito simples: NÃO EXISTE IDADE IDEAL PARA SE CASAR!

Convém que haja uma explicação aqui. Quando afirmo que não existe idade ideal para se casar, estou pretendendo dizer que não se pode fixar esta ou aquela idade para que o casamento dê certo. O ideal é que ambos os noivos tenham complementado seus estudos, tenham um mínimo para começar uma nova vida a dois, mas o que realmente deve determinar a realização de um casamento que tenha tudo para dar certo é a maturidade emocional dos noivos e isso, definitivamente, não depende da idade cronológica!

É um fato absolutamente comprovado que, uma jovem de apenas dezessete anos seja psicologicamente muito mais madura do que uma outra de 24, por exemplo. Conheço duas jovens, filhas de uma psicóloga cristã, que casaram ambas, ao redor dos 17 anos. Mas TINHAM SIDO emocionalmente preparadas para isso durante a vida toda! Hoje são excelentes esposas e mães, são muito felizes em seus lares e seguem na igreja, servindo a Deus!

Finalizando este artigo, escrevo para você, moça ou rapaz cristão que são, potencialmente as partes mais interessadas na questão do casamento. Olhe bem para dentro de você mesma(o). Procure compreender-se profundamente. Você ama realmente seu/sua parceiro(a)? Se o(a) ama, sente-se maduro(a) psicologicamente para assumir responsabilidades como as que o casamento impõem? Buscaram juntos e separadamente a ajuda e orientação de Deus?

Se se sentem seguros na resposta a essas perguntas, então, a questão da idade não é realmente a mais importante.

Casem-se, sigam em frente temendo ao Senhor e sejam felizes!


Antônio Tadeu Ayres


publicado por Antonio Tadeu Ayres às 18:45

DIVÓRCIO - QUAL É A NOSSA ATITUDE CRISTÃ EM RELAÇÃO A ELE?

DivórcioVivenciar o divórcio pode ser uma das experiências mais estressantes e dilacerantes da vida das pessoas. Vivenciá-lo dentro da igreja, no entanto, pode ser ainda pior. Isso porque muitos cristãos sinceros, infelizmente ainda não obtiveram o conhecimento bíblico correto sobre o assunto e, por causa disso, são reticentes na sua relação com irmãos divorciados.

Esse artigo tem como objetivo lançar alguma luz sobre a questão. Primeiramente, é preciso que nos lembremos de que "... a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo" (Jo. 1.17). A primeira pergunta que devemos nos fazer, portanto, é se os que vivem tragédias matrimoniais como o divórcio, por exemplo, também são dignos dessa "graça" e dessa "verdade" trazidas por Jesus. Creio que uma consciência cristã experiente tem a resposta certa para ela.

Um outro ponto importante é dizer que a Bíblia fala apenas de um divórcio, no texto de Jeremias 3:8, que diz o seguinte: "E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu".

Nesse texto, Deus está advertindo a Judá de que está procurando problemas. Ele, então, instruiu a Jeremias para que alertasse a Judá de que ela havia sido testemunha da infidelidade de sua irmã Israel, e que Ele a havia mandado embora e lhe dado carta de divórcio. Assim mesmo, Judá não se arrependeu (Jr. 3.6-8).

POR QUE A FALTA DE COMPREENSÃO SOBRE O DIVÓRCIO?

Quando Jesus foi questionado pelos fariseus, no evangelho segundo Marcos, "se é lícito ao marido repudiar sua mulher" ele respondeu, fazendo outra pergunta: "Que vos ordenou Moisés?" A resposta deles foi: "Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar" (Mc. 10.2-4).

Essa resposta dada pelos fariseus se refere à lei à qual o historiador Josefo, que viveu um pouco depois da época de Jesus, chama de "a lei dos judeus", e se encontra em Deuteronômio 24.1-4.

Esta é a lei de que trata Deuteronômio: "Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável a seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem..." (Dt. 24.1-2). Isso estava vigente na época de Jesus, mas a situação em que os homens judeus viviam era bem diferente, pois eles, na realidade, não a praticavam, e tomavam outras esposas, sem se incomodar em pensar em divórcio.

Ora se não se divorciava, o que fazia, então, um homem daquela época com a primeira esposa, quando tomava outra? Simplesmente, punha-a de lado, não lhe dando documento algum. Assim, caso se arrependesse, tinha a esposa anterior sempre à sua disposição! Isso era uma crueldade para com as mulheres, contra a qual Jesus se insurgiu.

A palavra hebraica, usada no Antigo Testamento, para descrever esse "pôr de lado" ao qual nos referimos é shalach, diferente da palavra que significa divórcio (como utilizada em Jeremias 3.8) que é keriythuwth que, literalmente significa excisão ou corte do vínculo matrimonial.

Ora, shalach normalmente é traduzido por "repudiar". Então, as mulheres que eram "colocadas de lado" por seus maridos, sem carta de divórcio como mandava a lei, eram "repudiadas" e era contra essa espécie de repúdio que Jesus se opôs. Quando, em Lucas 16.18 ele diz: "Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e quem casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério", ele está se revoltando contra uma prática cruel e injusta, porém não está se referindo ao divórcio.

Na verdade, no Novo Testamento, a palavra grega utilizada para "repúdio" vem do verbo apoluo, e é equivalente à palavra hebraica shalach ("deixar" ou "repudiar"). Já a palavra hebraica utilizada para "divórcio" é keriythuwth, cujo equivalente no grego (língua na qual foi escrito o Novo Testamento) é apostasion.

Resumindo, para ficar mais claro: shalach, no hebraico, corresponde a apoluo, no grego e significa "repúdio", em português. Keriythuwth, no hebraico, corresponde à palavra grega apostasion e significa "divórcio", de fato, em português. A não compreensão dessa diferença é que provoca tanta confusão e tanta incompreensão em nossos dias!

QUE PALAVRAS JESUS SE UTILIZOU PARA TRATAR DO ASSUNTO?

As passagens bíblicas nas quais Jesus tratou deste assunto incluem Lucas 16.17-18; Mateus 19.9, Marcos 10.10-12 e Mateus 5.32. Nessas passagens, Jesus utilizou onze vezes a palavra apoluo, em uma de suas formas e, em todas essas ocasiões, o que ele proibiu foi o apoluo, ou seja, o repúdio. Ele jamais proibiu apostasion, a carta de divórcio exigida pela lei judaica!

Isto posto, devemos traduzir a palavra grega apoluo por divórcio? A tradução Revista e Corrigida de Almeida, que é a mais antiga em língua portuguesa sempre usou "deixar" e "repudiar". Do mesmo modo, emprega essas mesmas palavras a Revista e Atualizada.

E Por Que As Pessoas Passaram a Ler Diferente?

Essa é uma pergunta sobre a qual vale a pena discorrer um pouco, pois, no meio evangélico, principalmente, começou-se a ler: "aquele que divorciar sua mulher" nas passagens em que Jesus, com muita clareza, disse: "aquele que repudiar ou abandonar sua mulher"!

Ao que tudo indica, esse equívoco começou em 1611, quando a rei Tiago encomendou a versão mais antiga e, hoje em dia, mais popular da língua inglesa (a chamada King James Version). Nessa edição ocorreu um problema: em uma das onze vezes que Jesus usou o termo, os tradutores escreveram "divorciada", ao invés de "abandonada" ou "repudiada".

Isso aconteceu em Mateus 5.32, onde eles colocaram: "E aquele que se casar com a divorciada comete adultério", embora a palavra grega não seja apostasion, mas uma forma de apoluo - situação que não inclui carta de divórcio para a mulher, pois ela, tecnicamente permaneceria casada.

A versão Standart Americana corrigiu o erro em 1901, mas nunca chegou a ser tão popular como a King James Version. Na verdade, tudo o que foi impresso depois (incluindo os léxicos gregos e americanos) foi influenciado por essa ocorrência. De onde resulta o fato incontestável de que a tradição nos ensinou a ter em mente "divórcio", mesmo quando lemos "repúdio".

CONCLUSÃO

Tudo o que tivemos a oportunidade de examinar, através deste artigo, não pode e nem teve a pretensão de defender a prática do divórcio. Biblicamente falando, todos sabemos que o matrimônio foi planejado para durar a vida toda.

Portanto o divórcio é um privilégio, no sentido de servir como um corretivo apenas para situações intoleráveis. Mesmo assim, não deixa de ser uma tragédia: sentimento de culpa, perda da auto-estima, um agudo senso de ter falhado, solidão, rejeição, críticas dos familiares e dos irmãos em Cristo, problemas na educação dos filhos e uma série de outras graves conseqüências são os resultados concretos que afligem os divorciados.

No entanto, a graça de Cristo é abundante para eles também. Jesus sempre se identificou com os que sofrem e com os que, reconhecendo o seu pecado, confessam-no e o deixam. A igreja foi planejada para ser uma comunidade terapêutica, que cura as feridas; não que as fazem doer mais.

Portanto, nosso desejo sincero é que deixemos de ser juízes, pois não foi para isso que Cristo nos chamou. E que tenhamos mais amor, mais compreensão e mais empatia por esses nossos queridos irmãos divorciados. Por eles também Jesus derramou seu precioso sangue purificador!

 

Antônio Tadeu Ayres


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BIBLIOGRAFIA

Este artigo está baseado no apêndice O divórcio, a lei e Jesus, incluso in:
CARVALHO, Esly Regina, Quando o vínculo se rompe, ed. Ultimato, 2001

publicado por Antonio Tadeu Ayres às 18:32
Quarta-feira , 10 de Setembro DE 2008

NUNCA É TARDE DEMAIS PARA AMAR

AMORVocê quer ficar sabendo o nome de um dos males que assolam milhões de pessoas em todo o mundo? Ele é grafado com sete letras: S-O-L-I-D-Ã-O. Por causa desse mal, pessoas têm errado em suas trajetórias na vida; homens de bem têm se transformado em mendigos de rua; belas mulheres têm murchado como as flores não regadas e milionários têm dado cabo da própria vida.

Por essa razão também, entendemos a magnitude das palavras do Criador quando, ao dizer; "...Não é bom que o homem esteja só..." (Gn.2.18), logo entrou em ação, ao criar a mulher para servir de companheira a Adão.

Quando o apóstolo Paulo escreve aos coríntios: "A mulher não está livre enquanto o seu marido vive. Caso o marido morra, ela fica livre para se casar com quem quiser. Mas deve ser casamento cristão" (I Cor. 7.39); (obviamen-te, o contrário também é verdadeiro, isto é, se a mulher morrer, o marido fica livre), ele está deixando claro que o casamento não é algo próprio para ser re-alizado apenas na juventude, mas em qualquer idade!

"Bem, se é assim, por que motivo, então, milhões de pessoas estão amargando a dor da solidão, ao invés de se casarem ou re-casarem e serem felizes?" - argumentará o leitor, com toda a razão.

Para responder a essa questão, alinhavamos duas respostas secundárias (que não constituem, salvo melhor juízo, a razão principal ainda) para só depois, darmos a resposta que consideramos de fundamental importância.

1. ELAS ACREDITAM QUE O CASAMENTO É INDISSOLÚVEL

Esse pensamento, de muitos cristãos, está erroneamente baseado no ensinamento que se ministra sobre o versículo: "...o que Deus ajuntou, não o separe o homem" (Mt. 19.6).

Em relação a isso, temos que considerar que a instituição "casamento" se subdivide em três aspectos que, necessariamente, precisam harmonizar-se entre si:

a. O casamento civil: é aquele realizado conforme a lei, no cartório (ou fora dele) com a assinatura de uma Certidão pelo Juiz de Paz e do livro de registros, pelas testemunhas.

b. O casamento religioso: é aquele realizado na igreja, com a noiva, o noivo e os padrinhos, diante do sacerdote ou do pastor, em cerimônia pública, normalmente numa igreja ou templo.

c. O casamento teológico: é o casamento real, verdadeiro, realizado entre o noivo e a noiva, a sós, ajoelhados diante de Deus, assumindo um compromisso de mútua fidelidade e lealdade, de coração para coração.

A essas alturas, nem é preciso dizer muita coisa, pois temos absoluta certeza de que o leitor conhece dezenas de casais que, por mera aparência ou conveniência continuam "sustentando" um casamento civil e/ou religioso. Mas, teologicamente, há muito deixaram de ser marido e mulher.

Isso põe por terra o argumento de que sempre é preciso levar em conta o ensino: "tudo o que Deus uniu, o homem não deve separar". Apenas demonstra a verdade cristalina que nem todo casamento foi unido por Deus!

ELAS ACREDITAM QUE EXISTE ALGUÉM "ESPECIALMENTE PREPARADO"

As pessoas que acreditam que Deus "preparou alguém especialmente para elas" são, na maior parte das vezes, crentes, fiéis e sinceras. Mas, inadvertidamente, estão seguindo o ensinamento popular expresso pelo "ditado": "O que é do homem, o lobo não come". É preciso ter muito cuidado com isso.

De fato, algumas passagens bíblicas como a história de Rebeca, preparada para Isaque e a de Ester (preparada para ser rainha) podem sugerir a alguns cristãos menos atentos que "Deus sempre prepara" alguém com quem deverão se casar. Não é exatamente assim que as coisas acontecem.

Nesses dois casos citados (o de Rebeca e o de Ester), Deus tinha propósitos amplos e específicos (a formação de uma nação, no primeiro; e o impedimento da destruição dessa mesma nação, no segundo).

Será que poderíamos afirmar que Deus preparou Milcal, Bate-Seba e as demais esposas para Davi? Ou que foi Dele a escolha das trezentas esposas e setecentas concubinas para Salomão?.

Meu/minha querido(a) leitor(a). com toda a sinceridade de meu coração posso dizer-lhe que a Bíblia não nos autoriza a dizer que Deus trabalha como santo casamenteiro. Ele pode abençoar sim, e tornar maravilhosa a união de um homem com uma mulher. Mas eles precisam escolher-se mutuamente, usarem da prerrogativa de seu livre arbítrio para se decidirem casar diante Dele.

Conheço uma pessoa que passou meses a fio dentro de casa, desempregada, jejuando e orando para que o emprego "preparado por Deus" batesse à sua porta. Tal emprego nunca chegou, não porque Deus não ouvisse às suas súplicas, mas porque esse não é o método que Ele estabeleceu para a solução de tal problema.

Quando essa pessoa assumiu sua parcela de responsabilidade, tomou coragem, arregaçou as mangas e foi à luta, em poucos dias estava empregada. A mesma situação pode acontecer, em relação ao casamento.

A RAZÃO PRINCIPAL DA SOLIDÃO: PRECONCEITO

É verdade que, segundo o último censo do IBGE, o número de homens no Brasil é maior do que o de mulheres, o que seria uma desvantagem para elas. Mas, considerada a população total do país, tal diferença não chega a ser significativa.

No entanto, o mesmo IBGE constata um aumento cada vez maior de divórcios, em nosso país. O que acaba redundando numa proporção maior de pessoas mais velhas, descasadas.

O preconceito a que nos referimos tem tudo a ver com a palavra "velho" e isso forma uma barreira em torno de muitos indivíduos solitários. Em 1910, um homem de 40 anos era considerado velho. Mas, com os avanços da ciência, da tecnologia e da medicina, a expectativa de vida do brasileiro subiu incrivelmente.

Hoje, sem eufemismos, um homem ou uma mulher de 40 anos ainda são considerados jovens. Tanto assim, que a nova lei da previdência estabelece a aposentadoria para indivíduos com 35 anos de trabalho e 60 anos de idade. Muitos "ex-velhos" aposentados estão sendo convocados de volta a seus antigos postos de trabalho e estão achando ótimo!

Mas, o preconceito de que falamos provém, em primeiro lugar, dos filhos (que poderiam ser considerados insensíveis, mal informados e egoístas), já que julgam "um disparate" um novo casamento por parte do pai ou da mãe separado (a) ou viúvo (a). A felicidade ou a solidão de um progenitor parece não lhes importar!

Ou então, é um preconceito que a própria pessoa solitária desenvolveu, temendo "o que os outros irão dizer" quando souberem que alguém "na minha idade" está apaixonado (a).

Querido (a) leitor (a) que nos acompanhou até aqui. Lembre-se de que a sua vida lhe foi dada pelo Senhor e deve ser vivida por você e não por seus filhos ou conhecidos. Saiba que Deus o (a) criou para ser feliz. Não desista de lutar por sua felicidade. Jogue para bem longe o preconceito e, confiando Naquele que tudo pode, arrisque-se a ser feliz.

Como reflexão, lembre-se destas palavras que o escritor Jorge Luís Borges deixou, pouco antes de falecer:

"...Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes - te amo, te amo. Convenceria cada mulher e cada homem que são meus favoritos e viveria enamorado do amor. Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar..."

De fato, nunca é tarde demais para amar!

Antônio Tadeu Ayres

publicado por Antonio Tadeu Ayres às 19:18

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